11 de maio de 2015

Duas perguntas que mudaram uma vida

Duas perguntas que mudaram uma vida Psicólogo Flávio Melo Ribeiro
Sou Psicólogo e gostaria de relatar uma experiência. Numa sexta-feira próxima ao natal recebo um telefonema de uma mãe aflita por escutar de seu filho depressivo o desejo de tirar sua própria vida. Ele era meu paciente a pouco tempo e eu já estava a par dessa ideação suicida. No final da mesma tarde recebo o meu paciente e os familiares. Solicito que apenas o paciente entre na sala, sabia o quanto os demais queriam entrar para ajudar, mas tinha consciência da importância de ouvir do meu paciente o que estava ocorrendo. Após escutar seu relato e avaliar o risco dele tirar sua vida, sabia que não tinha muito tempo para intervir e alterar essa situação, foi quando lhe fiz duas perguntas que mudaram o rumo dos seus pensamentos. 
Primeira pergunta: você não está mais está querendo viver, ou não quer mais viver a vida que está levando e caso pudesse viver o que desejasse estaria disposto continuar vivo? Percebi que ele mergulhou nos seus pensamentos e depois de um tempo respondeu que se pudesse viver o que ele queria, gostaria de continuar vivo. Sabia que essa resposta abriu uma brecha para mudar seu ponto de vista e imediatamente fiz a segunda pergunta: O que poderia fazer para conseguir viver o que ele queria? Pensativo me respondeu que não sabia. Mas nesse momento estava aberto o caminho para mudar o foco dos seus pensamentos, agora para alternativas do que fazer. Antes seus pensamentos estavam estagnados na ideação suicida, agora nas possibilidades de atividades.

Por meia hora refletimos sobre ações reais e possíveis que ele poderia fazer para alcançar o que queria. Em seguida solicito que seus familiares entrem na sala. Os olhares se voltaram para mim, esperando o que iria dizer, em vez disso, passei a palavra ao paciente. Ainda cabisbaixo, falou que precisava de ajuda para aprender a viver. Com lágrimas escorrendo por seu rosto sua mãe se levanta e o abraço longamente.

Sabia que o problema não estava resolvido, precisava um longo tempo para construir um novo rumo de vida, mas o primeiro passo estava dado (Veja o texto No jardim das Borboletas). Espero que esse relato possa ajudar mais pessoas que estão passando por isso ou que acompanham pessoas nessa situação.




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