29 de junho de 2015

Penumbra

Penumbra Psicólogo Flávio de Melo
Anos atrás recebi um telefonema de um senhor bastante aflito com o estado da sua esposa, que se encontrava depressiva. Relatou que ela estava trancada num quarto escuro fazia três dias, que não tomava banho, não mantinha mais contato com os filhos e estava comendo pouco. Agendei uma consulta o mais breve possível. No dia marcado, fui até a recepção e encontrei a referida paciente sozinha. Quando questionei quem a trouxe, disse que foi seu marido, mas que ele não pode ficar. Aos prantos, entrou na consulta e relatou sua situação com dificuldade. Um ponto que vou trazer é seu isolamento na penumbra, algo muito comum entre os depressivos. A preferência por ambientes escuros e silenciosos. Quase uma representação do seu corpo: menor vitalidade, sente-se frio e sem força (Veja o texto Aspectos Gerais da Depressão).

Os relatos são bastante frequentes sobre como veem o mundo com tons cinzas. Percebem o mundo como sendo frio, sem graça e sem cor. Na realidade percebem o mundo através do estado dos seus corpos. No caso dessa paciente, ela foi perdendo a vitalidade gradativamente, se desinteressando pelas pessoas com quem se relacionava, pelas atividades que fazia. Movida pelo medo e pela insegurança desde jovem, foi se encolhendo diante das adversidades que a vida lhe apresentava e, como estratégia, se uniu com pessoas que resolviam seus problemas.

Até que a vida lhe exigiu posicionamento que não poderia mais delegar. Em vez de enfrentar, foi se encolhendo e cortando todas as atividades e relações que lhe lançavam atividades com responsabilidade. Com o tempo, se isolou e percebeu que fracassou no seu projeto. Isso lhe era inaceitável. Ao mesmo tempo que se isolava, não aceitava fracassar. Foi se deprimindo até chegar a ficar vários dias na penumbra. O estado depressivo estava instalado. Nesse momento a pessoa já não decide simplesmente sair da depressão. O corpo é um dos elementos dessa construção e ele está afetado, perdeu seu equilíbrio e até voltar ao que era vai precisar de muito trabalho.

A penumbra conforta, mas não resolve. Não é a reclusão que vai ajudar o depressivo, ao contrário, vai precisar aprender a enfrentar a vida e suas adversidades. Uma tarefa árdua que vai exigir investigar sua vida, compreender como monta seus pensamentos, identificar seu projeto de ser alguém no mundo. E principalmente aprender a viver. É um caminho tortuoso que vai precisar apoio de familiares e de profissionais qualificados para tal fim. Não deixe chegar nesse estado, peça ajuda.



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