25 de setembro de 2015

Perdoe e se liberte

Perdoe e se liberte Psicólogo Flávio de Melo
Desde o início das minhas atividades profissionais, me deparei com pacientes que confundiam o que é perdão. Entendiam que perdoar é esquecer o mal que lhe fizeram e trazer o malfeitor para próximo delas, mesmo sabendo do risco de recorrência. Em primeiro lugar, ninguém se esquece da sua vida, principalmente de fatos importantes que incomodam a ponto de sentirem raiva ou de pensar em perdoar (a não ser por doenças neurológicas). Em segundo lugar, entender o que aconteceu não exige manter as pessoas e ambientes como estavam dispostos antes – muito pelo contrário –, mas aponta necessidade de mudanças e nova configuração na rede de relacionamento.

Perdoar é libertar-se. Essa definição encontra-se escrita há milhares de anos. Perdoar é fazer com que o passado, que não é esquecido, possa ser ressignificado a ponto de não mais incomodar. Cabe perdoar tudo aquilo que nos aconteceu no passado e nos atrapalha ainda hoje. Vamos entender melhor isso.

Nós estamos constantemente nos encaminhando para o futuro, mas podemos ir olhando para frente e, com isso, percebendo as novas oportunidades, ou com foco no passado, remoendo o que nos fizeram ou o que nós mesmos fizemos. A raiva e a mágoa se fazem presente atrapalhando as relações atuais. Além disso, as promessas feitas na época, que geralmente são comportamentos radicais para evitar novos sofrimentos, e não cumpridas, aumentam os sentimentos de mágoa. Essa demasiada atenção ao passado nos faz perder oportunidades presentes, pois as identificamos depois que passam e não temos como recuperá-las. Ainda, perdemos oportunidades negando possíveis relações prazerosas por receio de que os acontecimentos passados se repitam, mesmo com outras pessoas envolvidas. Em vez de mover-nos pela positividade, pensamos em vingança, ou, se não chegamos a isso, oscilamos entre boas coisas da vida e recaídas raivosas do passado (Veja aqui os outros textos da série de Relacionamento Amoroso nas Redes Sociais).

Em alguns casos, a pessoa responsabiliza a si mesma pela sua passividade no passado, por não ter reagido com mais rigor e se culpa pelo que deveria ter feito e não teve visão ou coragem. Nesse caso, o perdão tem que ser a si própria. Essa falta de entendimento do passado e a insistência em não se perdoar são os fatores mais comuns de instabilidade emocional, pois diversas situações do presente servem de gatilho para lançar-se emocionalmente e reagir de maneira intempestiva, ou retraída. Essa tendência dos extremos é comum: ou explode ou se deprime. Não é porque você sofreu no passado – e não interessa o grau– que justifica você, hoje, provocar seu próprio sofrimento. Se você não se libertar desse “passado ruim”, não estará dando oportunidade a si mesmo para construir e viver situações melhores.



Viver – Atividades em Psicologia desenvolveu programas psicoterapêuticos que possibilitam ser trabalhados em grupos e individual.

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