6 de novembro de 2015

Portal da Esperança

 
Portal da Esperança - Flavio Melo Ribeiro
Nesses anos em que trabalhei com pacientes depressivos, constatei a dificuldade que eles têm de fazer qualquer atividade, preferindo ficar na cama, num quarto fechado, escolhendo a penumbra. Falta vontade, deixando apenas o tempo escoar pela sua vida. É sabido pela ciência psicológica que o mais significativo na depressão é a falta de futuro por parte da pessoa. E sem futuro não há vontade. Mas não basta explicar ao paciente os sintomas da depressão e o que está acontecendo com ele. Claro que isso é feito e é importante, mas não é suficiente para tirá-lo da sua inércia. É necessário ultrapassar o Portal da Esperança.

O depressivo precisa ver algum sentido em sua vida num futuro próximo para que se mova. Necessita enxergar algo diferente do tudo que o levou à depressão, e é papel do profissional proporcionar essa nova perspectiva. É possível aproveitar aspectos da vida do depressivo, identificando aqueles que podem vistos por outro ponto, servindo de gatilho para sair da inércia.
Essa construção de um futuro próximo que seja significativo foi denominado por um paciente de Portal da Esperança. Com o tempo, adotei esse termo e procurava com que meus pacientes depressivos ultrapassassem o Portal da Esperança, que pudessem ver e sentir vontade de fazer algo além de ficarem reclusos nos seus quartos. Mas é preciso tomar cuidado, pois já me deparei com pacientes que queriam organizar seu futuro, não para saírem da depressão, mas para deixar a vida organizada para sua família e cometer suicídio. Só abriram mão dessa ideia quando exercitaram a empatia: a capacidade de tomar o ponto de vista do outro. Nesse caso, se colocaram no lugar de seus pais e filhos e perceberam que estes se sentiriam culpados por sua morte, pois não teriam visto que ele estava mal a tal ponto, uma vez que estar melhorando ao organizar sua vida.
Para atender pacientes depressivos é preciso muita atenção, pois é comum querer manipular o profissional para continuar “não fazendo nada”. É preciso montar um verdadeiro quebra-cabeça para compreender o que ocorre na sua vida e nos seus pensamentos. Acontece de haver pensamentos recorrentes que atormentam de tal forma o paciente que este prefere ficar dormindo a acordar e saber que esses pensamentos estarão povoando sua reflexão. O mais importante é ajudar o paciente construir um novo futuro. Com certeza ele não quer mais viver a vida que está levando.
Psicólogo Flávio Melo Ribeiro
CRP12/00449


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