20 de novembro de 2015

Namoro: continuar ou terminar?

Sentimentos que atrapalham na hora da escolha - Flávio Melo Ribeiro
Terapia de casal é vista de forma geral como um processo psicoterapêutico para “ajeitar” o namoro ou o casamento. Mas há relações em que o “ciclo de vida” já expirou: às vezes por atos extremos que inviabilizaram a convivência, ou por perda da confiança, ou mesmo por mudança da direção dos projetos dos cônjuges e, nesses casos, cabe trabalhar a possibilidade do término além das possibilidades de união.


Vários clientes procuram psicoterapia por não saber como terminar um relacionamento amoroso, pode ser um namoro ou casamento. Alguns não sabem como proceder, embora tenham certeza de que o término será melhor para si. Outros sabem como proceder, mas têm medo da solidão que vão enfrentar depois do término. Outros, ainda, vivem a angústia de não ter certeza da sua escolha, ficar ou dar um fim na relação amorosa, pois no fundo não sabem se darão conta do resultado. Como compreender essa situação e encaminhar uma solução viável?
Primeiramente, qual é a diferença entre o medo e a angústia, tão comuns nessas situações? O medo é uma emoção negativa de algo externo à pessoa e que possa lhe aniquilar, podendo ser real ou imaginário. Mesmo irreal, quando a pessoa imagina e tem medo, este é de algo externo e acredita que possa lhe atingir. Nesses casos é comum ser o medo da solidão e o quanto isso vai atingir seu ser, sua personalidade, sua imagem diante dos outros; ou do medo de o outro conseguir alguém e do quanto vai sofrer por não saber lidar com sua possessão sobre o outro.
A angústia é o receio de a pessoa não dar conta dos seus projetos. A angústia aparece diante da liberdade, das escolhas. Fica-se angustiado por não saber em qual dos caminhos irá se realizar ou se frustrar. Qual a melhor escolha? E, mesmo escolhendo, surge a dúvida: manter foco para realizar o que escolheu ou ser covarde e querer voltar atrás?
Antes de dar continuidade a uma escolha em definitivo, é necessário trabalhar o medo e a angústia, pois a superação de ambos vai clarear a escolha. Nenhum dos dois deve ser um impedimento de uma escolha difícil que possibilitará a felicidade ou sofrimento de um ou de ambos.
Uma forma de superar a angústia é organizar a vida de tal forma que as escolhas sejam dadas como certas. Para isso é importante ter um projeto claro, saber quais objetivos quer atingir, definir o que se gosta e não gosta, o que quer e não quer fazer, o que o realiza, o que o frustra, o que lhe dá prazer. Parece óbvio, mas quando faço essas perguntas, elas não são respondidas com facilidade. As pessoas não se conhecem. Por isso, são facilmente levadas pelas escolhas dos outros ou mesmo manipuladas. As respostas dessas perguntas devem estar claras para trabalhar a superação da angústia.
Para enfrentar o medo é fundamental a pessoa entender como faz as próprias escolhas. Tecnicamente, se diz posicionar o EU. Assim, a pessoa toma distância de si e da situação, facilitando tomar providência sobre o que tem medo. Deve-se refletir: “Se eu não tivesse medo o que faria?”. Também é fundamental identificar do que a pessoa tem medo. Pois se tenho medo, tenho medo de algo. Que algo é esse? E de que forma posso enfrentar esse algo? São perguntas básicas que precisam ser respondidas para trabalhar o entendimento e superação do medo.
Escolher continuar ou terminar uma relação amorosa implica saber o que se quer e o que construir na sua vida. Como fazer essa escolha? Essa será o tema do próximo artigo.
Psicólogo Flávio Melo Ribeiro
CRP12/00449

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